A vida é para se viver

A vida é para se viver

João Paulo 03/09/2010 9 Comentários

80 anos. Um dia você acorda e tem 80 anos. Está na sua cama e encontra-se rodeado pela sua família e amigos. As coisas não parecem lá muito bem. Você sente-se fraco, talvez tenha chegado a sua hora. Velho e cansado, você olha para trás, para a sua vida, e pensa naquilo que fez e não fez, nas oportunidades que agarrou e aquelas que desperdiçou. Chegado a esta altura, acha que qualquer pessoa nesta posição, vai-se lembrar do seu passado e pensar “hum… devia ter passado mais tempo a trabalhar”?

Face à forte possibilidade da sua vida estar prestes a acabar a última coisa em que vamos pensar é se devíamos ter estado no escritório a fazer horas extraordinárias. Não, aquilo em que vamos pensar é em todos os sítios onde poderíamos ter ido, quem poderíamos ter conhecido, o que poderíamos ter feito e o que ainda poderíamos ter vivido antes de deixarmos de existir.

Timothy Ferris, o autor do The 4-Hour Workweek, que traduzido em Português significa a Semana de Trabalho de 4 horas, é um livro cujo título é um pouco excessivo. É difícil conseguir construir e manter um negócio ou uma carreira profissional por 4 horas semanais. Não é impossível, até porque o livro encoraja a contratação de trabalhadores de países em vias de desenvolvimento e emergentes, onde o custo de vida é muito barato e os conhecimentos de Inglês são suficientes, como é o caso da Índia, um país que durante muitos anos foi uma colónia Britânica. O tema do livro também revolve à volta de nos concentrarmos nas acções que importam saber, estudar ou fazer e aproveitar o resto do tempo a planearmos o nosso estilo de vida.

Existem muitos bons pontos no The 4-Hour Workweek, é possível usar o outsourcing de trabalhadores da Índia ou das Filipinas (também um país com mão-de-obra barata), e usá-los para praticamente ter o nosso negócio em auto-piloto. Na teoria, pelo menos. Na prática, é muito provável que a nossa influência e vontade de administrar o nosso negócio ultrapasse e bem as 4 horas do título. Além do mais, o facto de passarmos menos horas à volta do nosso negócio pode significar um decréscimo das nossas perícias e capacidades. Por exemplo, se o nosso trabalho estiver relacionado com arte, design, ou outra actividade que implica um progresso através da experiência, pode haver uma desabituação que nos torna menos competentes se alguma vez quisermos voltar à nossa actividade, da mesma maneira que um jogador de futebol tem de treinar todos os dias para manter bons níveis de forma e de técnica com a bola. Tudo isto vai depender um pouco da actividade e do ramo no qual trabalhamos, se bem que há muitas boas lições a tirar deste livro.

Faz-me lembrar uma família nos EUA, que há coisa de uns anos atrás ganhou vários e vários milhões de dólares na lotaria. Era uma família como qualquer outra, pai, mãe, e dois filhos, um rapaz e uma rapariga. Após alguns anos, a última vez que ouvi falar sobre esta família, o pai tinha-se suicidado, a mãe era obesa e os filhos eram dependentes, um do álcool e outro de droga, ou ambos.

No mundo profissional, assim como na vida, nenhum dos extremos é bom. Trabalhar que nem um louco (ou uma louca) e chegar ao final da vida e aí então pensar no pouco que a aproveitámos, ou trabalhar tão pouco que acabamos por perder o ritmo e a experiência da nossa actividade, acabam por ser decisões um pouco insensatas.

O ideal é agarrar nas lições que os extremos nos podem dar, naquilo que podem causar, e orientarmos a nossa vida para continuar a nossa carreira ou o nosso negócio, duma maneira que faça sentido, para que possamos trabalhar e aproveitar a vida também, porque afinal de contas, todos nós vamos embora um dia, rico ou pobre, alto ou baixo, gordo ou magro, ninguém escapa. Talvez nessa altura, quando tivermos 80 anos, na nossa cama, olhemos para trás e possamos então dizer “vivi como eu quis viver, estou pronto”.

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9 Comentários »

  1. Isa 14/09/2010 às 14:55 - Responder

    Concordo com o texto.

    Com carinho
    Isa
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